Setecentos milhões de pessoas vivem com dois dólares por dia.
Esta é a pobreza absoluta, da total miséria. À qual não escapa nem o corpo (doenças), nem a cabeça (depressões e doenças mentais), nem a alma (falta de dignidade e auto-estima).
Mas tão, ou quase tão importante como a absoluta, é a pobreza relativa: a extrema desigualdade de rendimento.
Seja dentro das empresas. Dentro de um país. Ou entre os países.
Peter Drucker dizia que o salário de um CEO não devia ultrapassar 20 vezes o salário médio numa empresa.
Na década de sessenta, o valor transversal às grandes empresas dos EUA era 42; na década de 90 aumentou para 200; hoje superou os 300.
A humilhação não leva à motivação mas à fúria (calada), ao veneno (encapotado) das relações e (sempre que possível) à resistência passiva e ausência de iniciativa: deixa andar não te rales, ladrão que rouba ladrão… ele não merece.
Há depois a desigualdade dentro dos países. A média global é que o topo 10% recebe 52% do rendimento mundial enquanto os 10% de baixo têm 0,7%. Isto é, a nível mundial o top ten tem mais de metade e o bottom ten nem 1%. Rácio? 74 vezes.
Outros rácios confirmam o mesmo: o topo 1% detém 45% da riqueza mundial e os 50% de baixo menos de 1%. Ou seja, 1% das pessoas detêm quase metade da riqueza e metade menos de 1%.
Finalmente há a desigualdade entre países: o topo 10 tem mais de 200 vezes o rendimento per capita dos 10 mais pobres. O rácio do topo 20 sobre os últimos 20 é de mais de 100.
Daqui saem duas consequências.
Localmente, turbulência: quarenta países vivem em guerra, insegurança generalizada ou colapso do estado.
E globalmente todos os anos há sete milhões de migrantes económicos, dos quais cinco milhões sofrem violência e quase dez mil morrem a tentar.
Porque, quem emigra economicamente não são os (700 milhões) absolutamente pobres. Mas os ligeiramente melhores que tendo acesso à net podem constatar a diferença face aos países mais ricos e dispõem do dinheiro suficiente para pagar aos traficantes.
Urge pois aumentar o rendimento per capita dos países mais pobres.
Mas como?
O PIB per capita é o valor acrescentado produzido numa sociedade. Mas quem o produz? As empresas.
As marcas mais valiosas mundialmente estão nos países mais ricos: Google, Apple, Microsoft, Amazon, Nvidia.
Certo que a China tem a Tencent (7ª no mundo), Alibaba (~ 20ª), ICBC (~ 26ª), Huawei (~ 35ª), e a Índia a Tata (~ 60ª), a Infosys (~ 120ª), mas ambos estes países são colossos. E estas marcas são as excepções.
O Brasil? A melhor é o Itaú (271ª), com o Banco do Brasil, Bradesco e a Petrobras acima dos 350, a Ambev do guaraná, etc. em 450ª, não tendo o Brasil nenhuma marca no top 200 (não, não me esqueci, amigo leitor, das Havaianas, é que estas nem aparecem no top 500).
Por oposição a Alemanha tem a Deutsche Telekom (12ª), Mercedes Benz (16ª), Siemens (41ª), BMW (42ª), Volkswagen (56ª), etc., o Japão a Toyota (13ª), Sony (~ 55ª) e Honda (80ª), a Holanda a Shell (17ª), Unilever (55ª), a Coreia do Sul tem a Samsung (8ª), LG (91ª), Hyundai (96ª), Kia (150ª).
Em síntese, não há países subdesenvolvidos, há países subgeridos.
Donde, gestão.
E assim, amigo leitor, adaptando de um dos fundadores dos EUA, John Adams, temos hoje que estudar gestão, para os nossos filhos poderem estudar química e física e os nossos netos dedicarem-se à pintura e música.
JORGE A. VASCONCELLOS E SÁ
Senior Researcher at CIGEST
MBA Drucker University / PhD Columbia University
