População.
Somos (mais de) 8 biliões. E crescemos todos os dias 200 mil, ± 70 milhões ao ano: a África contribui com mais de 30 milhões, a Ásia com mais de 20 e a América Latina com mais de cinco.
Novas bocas a alimentar por ano? Índia, mais 12; Nigéria, 6; Paquistão, 5; Congo, 3.
Pior: há uma correlação fortíssima e estatisticamente significativa entre quanto maior a pobreza, maior o crescimento populacional. Porque os mais pobres são também os países mais jovens e sem planeamento familiar.
Solução? Objectivo de crescimento zero.
A atingir por três vias.
Primeiro, condicionar ao cumprimento deste objectivo toda e qualquer ajuda económica de instituições como o FMI e Banco Mundial e de regiões/países ricos (EUA, EU, membros da OCDE, da Commonwealth, Japão, etc.).
Segundo, sanções às elites dos países que não cumprirem.
E (assim) terceiro, todos estarão mais abertos à implementação de políticas (preferencialmente através de ONGs e não de governos, mas quando através destes sujeitos a micro-controlo): 1) planeamento familiar (contracepção gratuita, campanhas de informação), 2) facilitar o acesso das mulheres ao mercado de trabalho (o Brasil, México, Vietname, etc. mostram que a fertilidade cai rapidamente com a entrada das mulheres no mercado laboral), 3) educação feminina (cada ano adicional de escolaridade feminina reduz a fertilidade até 0,3 filhos por mulher), 4) combate ao casamento infantil e 5) continuação do trabalho na redução da mortalidade infantil. Sendo que uma das relações mais robustas da demografia é que quando a mortalidade infantil cai, as famílias têm menos filhos. Porquê? Há maior segurança reprodutiva e consequentemente menos necessidade de “filhos de substituição”.
E é bom notar que do crescimento populacional derivam uma série de problemas: ambientais (desflorestação, etc.), pandemias, aquecimento global, sofrimento animal (fábricas de tortura), migração económica (por ano sete milhões, dos quais cinco milhões sujeitos a vários tipos de violência e quase dez mil mortes), diminuição da qualidade de vida.
As campainhas de alarme estão a tocar? Não. Alguém está a “take ownership of the problem” (chamar o problema a si/assumir a responsabilidade)? Não.
O que existe é a opinião de uns “peritos”… Do Banco Mundial que em 2050 chegaremos a 10 biliões e a partir daí abrandaremos o crescimento. E das Nações Unidas que depois de 2100 ocorrerá a estabilização.
Uma pergunta, o amigo leitor: entre os inconvenientes da explosão populacional e a opinião dos peritos, por qual opta?
E de qualquer modo, qual a vantagem de continuar a crescer?
Ao fim e ao cabo, sendo os recursos escassos não se trata de uma simples questão de bom senso?
Infelizmente o bom senso é a característica mais mal distribuída e o mais difícil de se ver é o óbvio. Sendo da natureza humana esta distrair-se com o secundário.
JORGE A. VASCONCELLOS E SÁ
Senior Researcher at CIGEST
MBA Drucker University / PhD Columbia University
